Algumas considerações sobre o D.M.T

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A dimetiltriptamina é sintetizada em duas etapas enzimáticas a partir do triptofano, aminoácido encontrado em todas as formas de vida. Em nosso código genético ele é o único aminoácido que não é degenerado, isto é, só existe um códon capaz de sintetizá-lo. Embora ocorra desde as bactérias e algas até as plantas e nós, não sabemos a função da DMT nos seres vivos. Em nós suspeitamos que produza os sonhos, e que no momento da morte liberemos imensas quantidades desta substância através da glândula pineal. A última experiência de um ser humano é, portanto, semelhante a aquela que podemos obter através de altas doses de plantas e fungos que contenham esta molécula.
        Não só desconhecemos a função da DMT, como também existem uma série de fatos ainda inexplicados acerca de sua ocorrência na natureza. O cogumelo Psilocybe cubensis contém a 4-PO-DMT. Esta é a única molécula encontrada na natureza que contém um grupo PO na quarta posição, sem antecessores nem sucessores. Além disso, não temos um registro fóssil de fungos mais antigo do que quarenta milhões de anos, embora tenhamos fósseis de seres mais sensíveis com até um bilhão de anos, como invertebrados marinhos. Tanto a molécula encontrado no cogumelo, como a própria espécie constituem um enigma evolutivo.
        Podemos cogitar diversas explicações. A maior parte dos xamãs que usam DMT concordam que ela nós dá acesso ao mundo que existe após a morte. Desta forma, talvez esta molécula nos seres vivos seja o fio da vida, isto é, o elo que liga a alma destes seres ( ou seja lá o nome que se queira dar a aquilo que resta de nós após a morte ) ao seu corpo. Logo estas plantas parecem ter tido sua evolução orientada por seres desencarnados, mais avançados que nós, para que pudessem intervir na situação terrestre em momentos críticos. Elas estiveram aqui no momento de construção da civilização, e agora retornam enquanto ela encontra perigo de colapso.
Não só a DMT, como também outras substâncias possuem ocorrência e estrutura atípicas. O THC é o único álcool poli-hídrico psicodélico conhecido pela ciência. A Salvia Divinorum só pode ser encontrada em uma pequena região do México, Sierra Mazateca, e não conhecemos nada sobre sua evolução. Os próprios nativos da região dizem ter descoberto a planta somente após a chegada dos conquistadores espanhóis, e não possuem nome para ela em sua língua. O nome dado foi “ojos de la pastora” embora não exista nenhuma pastora no imaginário cristão ou nativo da região. E uma planta como a Argyreia nervosa, que é ativa após a ingestão de poucas sementes, não foi descoberta pelos nativos de sua região e não tem histórico de uso. Outra planta, o peyote, foi descoberto pelos nativos norte-americanos a menos de 500 anos.
Da mesma forma, apesar da ocorrência de cogumelos na Europa, os relatos de seus efeitos até o século 20 são escassos ou inexistentes. Nem mesmo os xamãs da América do Norte usaram cogumelos, apesar de sua ocorrência ser tão grande quanto aquela na região onde habitaram os maias.
        Esta série de fatos intrigantes nos leva a admitir que plantas de poder não obedecem as leis evolutivas que explicam a ocorrência de plantas comuns. Sabemos da abundância destas plantas na região da Amazônia, e de sua escassez sem nenhum motivo aparente nas florestas tropicais do Pacífico. Sua distribuição planetária, as substâncias que contém e razões das reações que despertaram entre populações humanas permanecem no momento como respeitáveis enigmas



Psilocybe cubensis - O cogumelo Mágico

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Psilocybe cubensis (anteriormente designada por Stropharia cubensis) é uma espécie de cogumelo alucinogénio, mundialmente conhecido, que apresenta como principais princípios ativos a psilocibina e a psilocina, embora possua em baixas quantidades outros alcalóides, como a norbaeocistina ou a baeocistina, cuja ação no sistema nervoso humano é pouco conhecida. São cogumelos de pequeno porte, geralmente apresentando características que os tornam facilmente reconhecíveis.

Taxonomia e Nomeação
Cogumelos Psilocybe cubensisOs cogumelos Psilocybe cubensis foram descritos e documentados pela primeira vez em Cuba[1] pelo micologista norte-americano Franklin Sumner Earle, o qual deu à espécie o nome deStropharia cubensis. Em 1907, a mesma espécie foi identificada como Naematoloma caerulescens na região de Tonkin, região norte do Vietnã, pelo micologista e farmacologista francêsNarcisse Théophile Patouillard.[2]
Em 1941, a então espécie foi chamada de Stropharia cyanescens por William Alphonso Murrill, na Flórida.[3] Após sucessivas alterações taxonómicas, a espécie foi integrada no géneroPsilocybe, designação que entrou no léxico comum com o crescimento da popularidade da espécie.
nome genérico Psilocybe foi derivado das raízes gregas psilos (ψιλος) e kub' (κυβη), que podem ser traduzidas como cabeça careca. O epíteto específico cubensis, como o próprio nome sugere, significa proveniente de Cuba, local em que os primeiros espécimes do fungo foram catalogadas e descritas por Franklin Sumner Earle.

História

O uso de enteógenos e drogas psicodélicas ou alucinogénias vem acompanhando o gênero humano desde o seu surgimento, e influenciando a formação de sua consciência e de seus modelos sociais desde os primórdios da espécie. Partindo do descobrimento das substâncias com poderes alteradores de consciência, passando pelo seu uso pela contra-cultura na década de 1960 até os dias atuais, com o advento de pesquisas que envolvem as potencialidades de cura dessas drogas, que vêm dando um destaque a esses compostos.

Américas

A documentação das primeiras ocorrências do uso de cogumelos do gênero Psilocybe nas Américas ocorreu em escavações de templos Maias, onde foram encontradas pequenas estátuas esculpidas em rocha que possuíam o formato de um cogumelo. Esses fungos possuíam tamanha importância para os povos da América que foram transformados em um sacramento, o qual recebeu o nome de teonanacatl na linguagem asteca. Tudo indica que o uso religioso desses cogumelos iniciou-se há cerca de 2000 anos, acompanhando os povosastecas e maias em seus rituais e estruturas sociais.
No século XVI, o religioso franciscano Bernardino de Sahagún, acompanhando uma das expedições do explorador Hernán Cortéz realizadas no território asteca, observou o uso ritualístico dos cogumelos Psilocybe pelos povos nativos.[4] É provável que a espécie empregada nos rituais era a Psilocybe mexicana, que é comum em pastos e pântanos da região do atualMéxico, que coincide com a região ocupada pelo império Asteca no período da exploração espanhola.

Egito

Existem registros de diversos materiais provenientes do território egípcio que possuem referências aos cogumelos enteógenos, tais como o Amanita muscaria e o Psilocybe cubensis.
Figura 1
Figura 2
É possível notar a semelhança entre a primórdia de um corpo de frutificação de um cogumelo Psilocybe cubensis (Fig. 1A) e duas coroas brancas egípcias anômalas, também chamadas de hedjeti. (Fig 1B, C e D). Além disso, a denominada Coroa Tripla, ou hemhe, (Fig 2B) pode ser assemelhada fortemente à uma geração de cogumelos enteógenos, agrupados no seu nascimento. (Fig 2ª e C)..
Acredita-se que os faraós possuíam uma forte influência religiosa ocasionada, da mesma forma que com os povos nativos americanos, pelas visões provocadas pelo uso desses cogumelos psicodélicos. O Faraó poderia possuir uma autoridade elevada que garantia o direito de consumir os cogumelos, adquirindo uma possível sabedoria espiritual, condizente com os conceitos de divindade humana apregoados à sua pessoa.

Cultura

Para os povos centro-americanos e mesoamericanos, especialmente os Maias e os Astecas, os cogumelos psicoativos possuíam um destaque importante para a consolidação social e religiosa desses povos, podendo ser considerados como um dos pilares centrais da maioria dos rituais e iniciações que eram praticados.
Os cogumelos Psilocybe cubensis inspiraram o surgimento de diversas divindades ligadas à cultura desse fungo. Podemos destacar como principais claramente ligadas, o Deus asteca Xochipilli, o qual possuía em seu corpo entalhes ou estampas que exibiam o corpo de frutificação desses cogumelos. Na imagem, podemos visualizar a presença de outras espécies de enteógenos, com destaque para os píleos de cogumelos logo abaixo da orelha da estátua.
Os astecas se referiam à esses cogumelos como teonanacatyl, ou carne-dos-deuses. Já o povo mazateca denominava-os como nits-si-tho, em que nitsi é uma espécie de diminutivo carinhoso, e o restante do vocábulo pode ser interpretado como “aquele que brota”.
Diversas pessoas dedicaram suas vidas para o estudo da relação entre esses fungos e a cultura humana. Como principais destaques, temos Maria Sabina, considerada a sábia dos cogumelos sagrados. Esta acabou por inserir-se nos rituais tradicionais da cultura americana, e foi uma xamã que contribui grandemente para o crescimento da inserção da cultura do cogumelo na sociedade moderna ocidental. Como personalidades americanas também temos Timothy Learry e Terence McKeena, pais do psicodelismo e do estudo dos princípios terapêuticos do uso de enteógenos na sociedade atual.

Religião
É comum que os usuários de substâncias alteradoras da consciência, como a Psilocibina e a Psilocina, relatem que durante o efeito das substâncias, foi comum o surgimento de visões de grande significância para o indivíduo. Tais visões eram tidas para os xamãs e religiosos tradicionais como possíveis predições para o futuro do povo e da cultura local. Bernardo de Sahagún relata em uma de suas viagens uma das cerimônias na qual o cogumelo era utilizado[4]. Nessa, os líderes religiosos distribuíam os cogumelos para os envolvidos na cerimônia, após uma preparação prévia, em que somente eram ingeridas substâncias como o chocolate e o mel. Durante a noite, após o consumo dos cogumelos, os nativos dançavam e entravam em um estado de êxtase, no qual experimentavam as visões. Quando o efeito dos cogumelos deixava de agir no sistema nervoso, os participantes se reuniam e discutiam as visões obtidas durante a experiência, chegando a um senso comum sobre o que havia de passar durante o próximo período de tempo, adotando como predições de futuro as visões obtidas.
Também é citada pelo autor uma cerimônia denominada “a festa das revelações”, organizada anualmente pelo imperador asteca Moctezuma, em que os cognescentes ingerem cogumelos psicotrópicos[4]. Infortunadamente, os registros de tal ritual foram perdidos, possivelmente pela ação da Igreja Católica, a qual considerava o culto do cogumelo como uma abominação para o cristianismo.
O papel que a Igreja católica desempenhou na destruição dos costumes e rituais xamânicos dos povos nativos, em relação ao uso dos enteógenos, com certeza foi decisivo para o desaparecimento de registros escritos, ou até mesmo para o quase total desaparecimento dos rituais. A ideia de uma expansão da mente, unida à expressões corporais como danças realizadas em um estado de transe, colaborou para que fosse passada uma visão demoníaca do uso dos cogumelos, fazendo com que os fiéis católicos empregassem suas forças na luta contra a disseminação dos cultos xamânicos.
Morfologia
Os cogumelos Psilocybe cubensis são fungos de pequeno porte, geralmente apresentando características marcadas que os diferem das demais espécies. Usuários desses fungos são comumente vistos coletando-os em pastos em que os mesmos surgem, geralmente sobre montes de esterco. A espécie apresenta as seguintes características:
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  • Píleo: 2-8 centímetros, com formato cónico a convexo quando novo, e tendendo para o formato de disco com o amadurecimento do corpo de frutificação. Quando novos, apresenta uma coloração mais clara, mas vai adquirindo um tom escuro, acompanhando o amadurecimento dos esporos.
  • Lamelasadnatas para adnexas, estreitadas em relação ao centro. As mesmas ficam ocultas por um véu quando o corpo do fungo é novo, e após o rompimento do tecido, se expõem para o meio ambiente, iniciando a liberação dos esporos. As lamelas apresentam um escurecimento gradativo.
  • Estipe: geralmente não cresce mais que 4-15 centímetros. Apresenta uma textura característica de borracha, com grossura média e comprido, mas mantendo a estrutura troncuda. O final do talo, na parte que permanece no solo, é cheia de pontos brancos, e bem irregular. Possui leves riscos escuros que o cortam longitudinalmente. Uma característica comum do gênero é apresentar os restos do véu presos ao talo, formando o que pode ser chamado de anel.
  • Gosto e Aroma: quando frescos, os cogumelos Psilocybe cubensis apresentam uma textura farinácea, e cheiro leve e adocicado. Quando desidratados, costumam apresentar aroma de biscoito de mel, e gosto de mofo. A maioria dos usuários descreve o gosto dos cogumelos como ruim.
  • Características microscópicas: esporos de 1.5–17 x 8–11 µmsub-elipsóides. O basídio apresenta comumente 4 esporos, mas algumas vezes 2 ou 3, dependendo da espécie.[4]
Habitats
Podemos destacar cinco habitats diferentes para os cogumelos Psilocybe cubensis:
Pastagens: Talvez esse seja o habitat mais comum e conhecido para qualquer espécie de Psilocybe com que se está pesquisando. A abundância de animais ruminantes oferece grandes possibilidades para esses fungos coprófilos, pois o esterco de bovinos e equinos fornece um ambiente perfeito para o crescimento e o desenvolvimento do micélio.
Depósitos de Esterco: Pelo mesmo motivo das pastagens, depósitos de esterco fornecem um ambiente perfeito para os cogumelos coprófilos.
Jardins: Tanto pela importação de espécies de plantas ou tanto pela reconstituição de um habitat, jardins geralmente oferecem um bom local para o crescimento de cogumelos, embora os mesmos sejam raros, pelo constante manejo do terreno.
Florestas: Com certeza também é um dos melhores ambientes para se encontrar cogumelos. A alta umidade do solo, unida com a presença de uma grande quantidade de matéria orgânica, fornece o ambiente perfeito para o crescimento de fungos, embora sejam raras as espécies de Psilocybe que se desenvolvam em florestas.
Banhados e alagadiços: Os cogumelos Psilocybe mexicana crescem em banhados e terrenos alagados na atual região do México. Substratos aerados como o esfagno e a presença de matéria orgânica e umidade fornecem um bom ambiente para cogumelos, embora sejam raras as espécies que se adaptem à esse ecossistema.

Ciclo de Vida
Os cogumelos Psilocybe cubensis pertencem à Classe Basidiomycetes, ou seja, são chamados de basidiomicetos. Os basidiomicetos são fungos desenvolvidos que apresentam uma estrutura comum denominada basídio, que produz e amadurece esporos. Os basídios se desenvolvem nas lamelas do cogumelo. A maior parte dos fungos macroscópicos pertencem à Subclasse Holobasidiomicetidae. Os cogumelos que desenvolvem esporos a partir de lamelas podem ser enquadrados na Ordem Hymenomycetales.
O cogumelo cubensis apresenta um ciclo comum, e estremamente adaptado às condições em que o fungo cresce. Todos os processos de desenvolvimento foram se adaptando às condições e ao ambiente, seja ele doméstico ou natural.

Ciclo de vida de um Psilocybe cubensis.
Podemos sintetizar o ciclo como esporo-esporo. Isso significa que o ciclo de vida do Psilocybe cubensis começa quando o esporo germina, e termina quando um novo esporo é produzido. A germinação do esporo, em um ambiente adequado, dá origem a uma hifa inicial, monocariótica. Essa hifa vai sofrendo divisões e multiplicações celulares, dando origem a um emaranhado de hifas. Denominamos ao agrupamento de hifas, micélio. A maior parte do ciclo de vida de um cogumelo se passa somente com a presença do corpo vegetativo, que é o micélio que se desenvolve degradando o substrato em que está posicionado, por meio de digestão extracelular. A partir do surgimento dos corpos de frutificação, ou cogumelos, é que o fungo se divide em dois corpos: o vegetativo já presente e o corpo de frutificação.
Como os esporos são produzidos em grande quantidade, e soltos no ambiente muitas vezes chegando à incríveis números, é normal que em um substrato, possam existir hifas provenientes de dois esporos diferentes. Quando duas dessas hifas provenientes dos esporos se juntam, por um processo denominado somatogamia, é produzido um micélio dicariótico. É importante destacar que não ocorre fusão de núcleos, mas apenas de paredes celulares hifais. Um micélio dicariótico pode viver indefinidamente, gerando corpos de frutificação em períodos aleatórios, ao contrário de um monocariótico, que possui vida curta. Porém em cultivos caseiros desses fungos, é relatada a morte do corpo vegetativo, após um período de tempo.
Em condições apropriadas, o micélio dicariótico pode iniciar a geração de corpos de frutificação. O micélio inicia um processo de transformação, no qual modifica sua estrutura voltado para o crescimento do cogumelo. Um nó hifal aflora do substrato, logo transformando-se em uma primórdia, que crescerá por acumulação de micélio e água obtidos do meio. Quando o cogumelo atinge a fase adulta, ocorre o amadurecimento dos esporos, e a liberação dos mesmos para o meio ambiente com o rompimento do véu. O ciclo se completa com essa etapa.
Uso enteogênico
Os cubensis são a espécie de cogumelos psicoativos do gênero Psilocybe mais conhecidos e cultivados mundialmente. As concentrações de psilocina e psilocybina, estão estimadas em 0.14-0.42%/0.37–1.30% (quando desidratados), no cogumelo inteiro; 0.17–0.78%/0.44–1.35% no píleo e 0.09–0.30%/0.05–1.27% no talo.[7]
A experiência
As experiências com cubensis costumam ser extremamente construtivas para o usuário que as experimenta, porém não sendo raros os caso de ''bad-trips''. Cada usuário relata suas experiências de uma maneira extremamente individual, então torna-se difícil contextualizá-las a um termo comum. Porém, como uma abordagem geral, temos como efeitos físicos o cansaço muscular, a perda ou redução de reflexos, a alteração na percepção da visão e do toque. Como efeitos mentais, a presença de leves ''insights'' e aumento na facilidade do pensamento em baixas dosagens, incluindo também uma maior sociabilização. Já em altas dosagens, o usuário tende a perder o contato com o mundo exterior e acaba tendo uma experiência muito mais enteogênica.

A ingestão

Os cogumelos cubensis podem ser ingeridos em por meio de três principais métodos: por meio de uma infusão em água quente, mais conhecida como chá-de-cogumelo, por meio da ingestão de cápsulas contendo os cogumelos secos e moídos (esta visa a disfarçar o gosto desagradável dos fungos relatado por alguns usuários) ou por ingestão in natura, quando os cogumelos são comidos diretamente.
Logo após a ingestão, os efeitos começam a ser sentidos dentro de 15 a 30 minutos, e podem durar por até 5 a 6 horas, dependendo da dosagem.

Legalidade

Em muitos países, portar a substância Psilocibina, ou materiais que contenham as mesmas, tais como os cogumelos, constitui um ato ilegal. Há um conflito entre a portabilidade de esporos ou de micélio, já que nos esporos não há a presença de Psilocibina, e consequentemente, comercializar ou transportar esporos não constitui uma infração. Como são pouco estudados ou de difícil cultivo, os cogumelos são pouco listados ou regulamentados, até mesmo pela sua grande presença em meios naturais. Portanto, cada país apresenta a sua própria legislação quanto à esses fungos.[8]

Referências

  1.  Earle FS. "Algunos hongos cubanos" (em espanhol). Información Anual Estación Central Agronomica Cuba.
  2.  Patouillard NT (1907). "Champignons nouveaux du Tonkin" (in French). Bulletin de la Société Mycologique de France.
  3.  Murrill WA (1941). "Some Florida Novelties". Mycologia.
  4. ↑ a b c d e Psilocybin-Mushrooms-of-the-World-An-Identification-Guide-1996.
  5. ↑ a b The entheomycological origin of Egyptian crowns and the esoteric underpinnings of Egyptian religion, Stephen R. Berlant.
  6.  Estatuto e Papel dos faraós
  7.  Tsujikawa K, Kanamori T, Iwata Y, Ohmae Y, Sugita R, Inoue H, Kishi T. (2003). Morphological and chemical analysis of magic mushrooms in Japan. Forensic Science International 138(1-3): 85-90.
  8.  Legalidade da portabilidade de esporos de cogumelos.


Sociedade Psicodélica

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Sociedade Psicodélica

Terence McKenna


Baseado em uma fala dada em um encontro da ARUPA
no Instituto Esalen em junho de 1984.


Eu quero falar esta noite a respeito da noção de uma sociedade psicodélica. Quando eu falei em Santa Bárbara em uma conferência sobre psicodélicos em maio de 1983 minhas lentes de contato falharam em um ponto crítico na minha leitura e eu simplesmente tive que improvisar. Mais tarde quando eu ouvi a fita da gravação eu ouvi a frase “sociedade psicodélica.” Eu nunca usei este termo conscientemente em uma conversa. Mas porque eu havia dito, e porque havia acontecido uma ressonância através das pessoas que estavam lá, eu comecei a pensar sobre isso e esta noite irei especular sobre o que isto pode significar para nós.

Quando eu penso em sociedade psicodélica, esta noção implica em criar uma sociedade que vive à luz do Mistério da Existência. Em outras palavras, problemas e soluções deveríam ser retiradas de seu papel central nas organizações sociais, e Mistérios – Mistérios irredutíveis – deveriam estar em seu lugar. Nos anos 20 o entomologista britânico J.B.S. Haldane disse em um ensaio, “O universo pode não ser apenas mais estranho como supomos; ele pode ser mais estranho do que nós podemos supor.”

Eu sugiro que assim como nós olhamos para trás em cada ápice da civilização na história humana - seja ela Maia, ou Greco-Romana, ou a Dinastia Sung – temos acreditado que isso aconteceu graças à posse de uma descrição apurada do cosmos e da relação do homem com ele. Isto parece ir junto com o completo florescimento de uma civilização. Mas, a partir deste ponto de vista da nossa presente civilização, nós consideramos todas estas concepções como se fossem piores, de segunda mão. Nós nos orgulhamos que nossa civilização tem a última e real descrição sobre o que está acontecendo.

Eu considero isto um erro, e que atualmente nos cega, ou torna nosso progresso histórico muito difícil, é nossa falta de atenção que nossas crenças se tornaram obsoletas e deveríam ser colocadas de lado. Uma sociedade psicodélica abandonaria os sistemas de crenças pela experiência direta. É o que eu penso a respeito a do problema do dilema moderno: a experiência direta foi descontada, e no seu lugar todos os tipos de sistemas de crença foram criados.

Eu preferiria um tipo de anarquia intelectual onde não importa o quê fosse pragmaticamente aplicável e fosse trazido de qualquer situação; onde crença fosse entendida como uma função auto-limitante. Porque, veja, se você acredita em alguma coisa você é automaticamente impedido a acreditar em seu oposto; que significa que um grau da liberdade humana foi coisificada no ato de se submeter à esta crença.

Eu insisto que é supérfluo ter crenças, porque o universo é realmente mais estranho do que nós supomos, precisamos retornar para o que no século XVI era chamado de método Baconiano; que não significa a elaboração fantástica de construções de pensamentos que explicam a natureza, mas somente uma catalogação dos fenômenos que nós experimentamos. Redes de computadores e drogas psicodélicas e a crescente disponibilidade de informação no mundo têm tornado possível a evolução de novos estados de informação que nunca existiram anteriormente. Estamos processando estas novas oportunidades em uma razão muito devagar porque estamos sendo impedidos pela ideologia.

Os modelos Freudianos e Junguianos enxergam a experiência psicodélica como um desmantelamento da resistência em revelar emoções, motivos e sistemas de crenças escondidas e complexas. Esta noção, há cinco ou dez anos, foi substituída pelo modelo de experiência alucinógena xamânica. Este modelo sustenta que pessoas arcaicas têm delegado membros especiais de uma sociedade para provar informações de domínio secreto usando drogas psicodélicas. A informação extraída destes domínios são então usadas para guiar e direcionar a sociedade.

Eu estou interessado neste segundo modelo. Tenho gastado algum tempo na Amazônia e estou familiarizado com os mecanismos operacionais do xamanismo e personalidades xamânicas. Acredito que a experiência psicodélica vai além da instituição do xamanismo. Estamos diante de uma oportunidade única de arremessar de lado a crise da cultura mundial.

Nossa habilidade de destruir a nós mesmos é a imagem espelhada da capacidade de nos salvarmos. O que está faltando é uma visão clara do quê deveria ser feito. O que deveria ser feito certamente não é a acumulação cada vez maior de arsenal termonuclear ou a promoção de todo o tipo espetáculos de primatas – que Tim Leary tem muito bem denunciado. O que precisa ser feito é que nossas concepções ontológicas fundamentais de realidade precisam ser refeitas. Precisamos de uma nova linguagem, de modo que para ter uma nova linguagem precisamos de uma nova realidade. É um tipo de equação urobórica, ou uma situação de desvencilhamento. Uma nova realidade gerará uma nova linguagem. Uma nova linguagem fará uma nova realidade se legitimar e ser uma parte desta realidade.

As substâncias psicodélicas podem ser imaginadas como pontos de uma grade de informações. Elas provêm novas perspectivas na realidade, e quando você reconecta todos os pontos de vista que você coletou considerando realidade, então um modelo aplicável de realidade e que faça sentido começa a surgir.

Eu penso que esta realidade aplicável e que faça sentido – o que Wittgenstein nomeou algo como “suficientemente verdadeiro” - é o que estamos procurando. O “suficientemente verdadeiro” mapeando por cima da teoria é o que estanos procurando, mas a experiência deve ser feita primeiro. A linguagem do Eu deve ser feita primeiro.

O que eu estou defendendo é que cada um de nós tome responsabilidade pela transformação cultural, que não é algo que seria disseminado de cima para baixo. É algo que cada um de nós podemos contribuir nos esforçando a viver tão para dentro do futuro quanto possível. Devemos nos livrar das concepções de anos 40, 50, 60, 70, 80, 90. Devemos transcender o momento histórico e tornarmos exemplares de humanidade no Fim do Tempo.

Alguns de vocês que acompanham minha leitura esta tarde se preocupam em saber que eu acredito que liberação – ou vamos dizer “decência” - como uma qualidade humana e antecipação deste estado perfeito da humanidade futura. Podemos ter vontade de aperfeiçoar o futuro nos tornando um microcosmo do futuro perfeito, não mais distribuir culpa para instituições ou hierarquias de responsabilidade ou controle, mas dar-nos conta que a oportunidade está aqui, a responsabilidade está aqui, e os dois nunca se tornem congruentes denovo. A salvação para o nosso espírito imortal depende do quê você faz com as oportunidades que a vida lhe dá.

Então, o que faremos com a oportunidade? O quê significa dizer, em termos operacionais, “Viva tão longe ao futuro quanto puder?” Significa tomar uma posição vís à vis da emergente realidade hiper-dimensional. Isto não significa necessariamente tornar-se um usuário de drogas psicodélicas; mas significa admitir esta possibilidade. Se você sente um potencial heróico dentro de você para ser um dos experimentadores – um dos pioneiros – então você sabe o que fazer. Se por outro lado você se sente perdido no abismo – se você se sente como William Blake chamou de “caindo para a eterna morte,” caindo do espiral da existência que conecta uma encarnação à outra – então oriente-se para a experiência psicodélica como uma fonte de informação.

Uma imagem espelhada da experiência psicodélica emergiu com o hardware e software integrados às redes de computadores. A internet e a www são, paradoxalmente suficientes, uma profunda influência feminilizante na sociedade. Isto está no desenvolvimento de hardware/software que inconscientemente está se tornando consciente. Esse é um pensamento que tomamos do bon mot platônico - “Se Deus não existisse, o homem deveria inventá-lo” - e disse, “se a inconsciência não existe, a humanidade a inventará na forma de vastas redes que serão capazes de transferir e transformar informação.”

Isto é, de fato, onde estamos presos: a transformação de informação. Nós não mudamos fisicamente nos últimos quarenta mil anos. O tipo humano está bem estabilizado antes do fim da última glaciação. Mudanças que foram feitas antigamente no âmbito biológico está acontecendo agora no âmbito cultural. Estamos abrigando presunções culturais e nos preocupando com nossa visão do mistério unitário em uma razão cada vez mais rápida, enquanto tentamos nos acomodar ao desdobrameno daquele mistério que se deita diante de nós no tempo. Este é o processo que está fundindo a vasta sombra de destruição por cima de toda a experiência da história humana.

Anterior à nossa própria era, a única palavra que poderia ser aplicada para esta força que faz as pessoas se unirem, causando nascimento e morte, levantando e derrubando civilizações, era Deus; e isso era imaginado como uma forna auto-consciente que estava aprendendo a respeito do mundo como um gato aprende a respeito do aquário e fazendo as coisas acontecerem. Agora temos uma noção diferente – a noção de um sistema vetor que força uma grande área que está sendo empurrada para um espaço muito pequeno, e este pequeno micro-setor de tempo/espaço é a história. É um ímpeto que os budistas chamam de “o reino densamente empacotado,” um reino onde os opostos estão unificados.

A história é este reino onde o corpo é finalmente interiorizado e a mente exteriorizada. Penso a mente como um órgão da quarta dimensão no nosso corpo. Você não pode vê-lo porque ele está na quarta dimensão, mas você experimenta uma baixa dimensão seccionando-a no fenômeno da consciência. Mas isto é somente uma secção parcial. assim como uma elipse é um desenho parcial de um cone.

O crescimento dos sistemas de informação é somente um reflexo do hardware masculino do que já existe na natureza como um fato. Agora nos resta afiar nossas intuições e nos tornarmos atentos a este sistema preexistente e ligá-lo para que possamos estar um passo a frente dos dualismos que nos separam dos outros e do mundo. Precisamos nos dar conta que há um enxame de genes – e não um grupo de espécies – no planeta; que metade do tempo você está pensando no que está escutando; que idéias são criaturas notavelmente escorregadias que são difíceis de traçar sua origem; e que estamos realmente no mano-a-mano e todos juntos em uma dimensão que não é tão acessível e sólida como você desejaria que fosse (como Joyce comenta em Finnegan's Wake).

Os psicodélicos são o red-hot, a edição social/ética porque eles são agente descondicionadores. Eles levantarão dúvidas se você é um rabino ortodoxo, um antropólogo marxista, ou um homem de altar porque o seu negócio é dissolver sistemas de crenças. Eles fazem isso muito bem, e depois eles deixam você com uma ferida na experiência, o que William James chamou – tomando uma experiência infantil – “uma confusão florida, barulhenta.”

Fora isso você reconstrói o mundo e precisa entender que esta reconstrução é um diálogo onde suas decisões – a projeção de sua gramática no espaço intelectual em sua frente – irá formar um gel sobre o ser. Nós todos criamos nosso próprio universo porque estamos todos operando com a nossa própria linguagem privada que são somente traduzíveis através da linguagem de outra pessoa. Há ainda um análogo físico a isto que irá promover um reforço desta noção de separação e nossa singularidade.

A imagem do mundo que se forma em seus olhos é feita de fótons. Fótons são minúsculos pacotes de luz tão próximas que podem ser pensadas como partículas. Isto significa que cada fóton que toca o fundo dos seus olhos é diferente dos fótons que tocam o fundo dos olhos de qualquer outra pessoa. Isto significa que eu me baseio em uma seção do mundo 100% diferente da imagem que qualquer um de vocês estão se baseando. E ainda estamos sentados aqui com uma suposição ingênua de que nossas imagens do mundo diferem somente pela nossa perspectiva dentro do espaço desta sala.

Temos inúmeras suposições ingênuas como esta construção do nosso pensamento. Nosso mecanismo explanatório mais venerado – tal como “ciência” - surge também como nosso mecanismo explanatório mais velho. Portanto, eles têm se construídos como a mais ingênua e não-examinada suposição. “Ciência”, por exemplo, podemos demolir em trinta segundos. A “ciência” diz a você um grupo de condições que criará um efeito dado, e a cada momento que o grupo de condições estiver em seu lugar o efeito será obtido. O único lugar que isto acontece é dentro de um laboratório. Nossa experiência não é assim. O contato com uma pessoa é sempre diferente. A experiência de fazer sexo, comer uma refeição, tomar um ônibus – isto penetra no ser – e torna suportável de todo jeito. A “ciência” ainda deseja dizer a você que somente o valor das coisas descritas em um fenômeno podem ser disparadamente repeditas. Isto se dá porque estes são somente os fenômenos que a ciência pode descrever, e é o nome do jogo com o qual ela se preocupa.

Mas nós temos que reivindicar nossa liberdade – tomar vantagem do abismo minúsculo entre o imenso abismo do desconhecimento; seja talvez a morte, ou reencarnação, ou transições para outras formas de vida. Estas coisas nós não sabemos ou entendemos, mas no momento que somos humanos temos a rara oportunidade de descobri-las. E eu tenho fé de que isto é possível – em algum lugar ou em algum momento. Talvez nenhum progresso seria feito até a nona hora em que a realidade pudesse ser literalmente fragmentada em pedaços, para além do ponto de reconstrução.

Existe, definitivamente, uma tendência anti humanista em todos os sistemas, Ludwig von Bertalanfe, que foi o inventor da teoria dos sistemas gerais, disse, “pessoas não são máquinas, mas em toda situação que elas tiverem a oportunidade, elas irão agir como uma.” Estamos todos caindo em padrões. Nós seguramos estes padrôes cada vez mais forte. Eles não podem ser violados; e isto acontece no nível das idéias.

Estamos agora no crista da onda da história, em tipo de aperto que nos devolve ao passado. Espero que tenhamos chegado ao fim desta fase. Queira você comprar minha visão apocaliptica transformadora envolvendo 2012, ou queira você dizer que somente por olhar ao seu redor você tem certeza que, logo, logo, a merda vai ser atirada ao ventilador, eu acho que nós concordamos que estamos diante de um impasse. O que está para acontecer será ou um grande deslocamento da biosfera, causando uma invalidação da inteligência como uma adptação biológica e nossa extinção; ou iremos nos tornar – como James Joyce sonhou - “o homem auto governável;” em outras palavras, a exteriorização do espírito e a interiorização do corpo.

Neste processo, tudo terá de ser desafiado. Toda a noção de humanidade será desafiada. Estamos à beira da manipulação do DNA, ou de tomar controle da forma humana, de sermos capazes de extender a noção de arte para dentro do corpo humano. Somos clássicos? Deveríamos ser Adonis e Perséfone? Ou o que somos nós? Somos surrealistas? Deveria eu ser uma batata ou uma girafa em chamas? Estas são questões que terão de ser enfrentadas. Eu sorrio enquanto falo isto, mas estas questões são importantes.

E a noção de ganho vertical que vemos nas metáforas feitas em relação à experiência psicodélica: expansão da consciência, ficar chapado (getting high - a tradução seria “elevar-se”), viagem psicodélica, vôo xamânico. É como se os alucinógenos fossem o feminino, o software, o formador, o cabo condutor do que está ocorrendo. Seguindo por trás vem o hardware, a mentalidade construtora masculina.

Isto irá continuar até que o cabo condutor das longas distâncias da engenharia contrutora se rompa. Esta é a crença xamânica: que nós podemos encontrar uma maneira de usar químicos em nossos corpos, usar nossas vozes, nossos pensamentos e nossas mãos por sobre nós e sobre os outros; para tranformar nós mesmos sem nenhuma tecnologia; para nos movermos no reino da imaginação com uma tecnologia psicofarmacológica interiorizada que nos liberte dentro da nossa imaginação.

Ao mesmo tempo isto está acontecendo com a mentalidade construtora masculina, que irá colocar sociedades humanas na órbita da terra/lua e em planetas próximos. Mas há um porém para a mentalidade construtora, que é um vácuo que envolve os planetas e exemplifica este abismo e o elemento feminino. É o mistério da Mama matrix de Finnegan's Wake. A misteriosa Mama matrix é o universo, e não há como escapar deste fato. Mas eu penso que a mentalidade construtora, que irá tentar transformar o homem em suas máquinas será desestabilizado pelos psicodélicos, pelo pensamento voltado ao planeta, pelo lado voltado à imaginação de nossa consciência, que irá criar as bases para o casamento espiritual que será a incubação química de um novo formato da humanidade; e isto não está longe.

Não pode estar longe. Esta é uma responsabilidade inerente a todos nós que nos faz criá-la. Há uma obrigação definida para examinar as possibilidades de ação, e para pensar claramente sobre si e sobre o outro, sobre a linguagem e o mundo, sobre o passado e o presente. Por muito tempo nós vivemos em um mundo definido pela geografia. Se você nasceu na Índia, você achará que o cosmos é de uma maneira. Se você nasceu no Brooklyn, você achará de outra. Precisamos transcender estas grades do destino biológico, que nos torna aquilo que nós não queremos ser. Nós podemos clamar por este nível mais alto de liberdade através do simples ato de prestar atenção à existência.

Precisamos começar a exprimir nossas visões ideológicas antes que sejamos consumidores das próprias. Precisamos desligar a nossa TV interna que nos puxa para as suposições culturais ditadas pelo Pentágono, Madison Avenue, e pelo estado corporativo. Precisamos, ao invés disso, ligar nossos modems e começar a interagir como pessoas dotadas de mentalidade pelo mundo afora e estabelecer esta nova ordem intelectual que será a salvação da biosfera, eu acredito firmemente nisto. A internet finalmente concretiza nossa coletividade permitindo que pessoas sintam a interrelação de seus destinos; sentem a interrelação como uma coisa que transcende divisões nacionais, divisões ideológicas. A net permite que cada um de nós recupere a experiência de ser parte de uma família humana.

Nenhuma reconstrução de sociedade pode ser feita sem psicodélicos porquê nós perambulamos durante muito tempo sem eles. Certamente somos produtos de uma sociedade que foi longe demais sem psicodélicos como nenhuma outra cultura no mundo. Isto foi há dois mil anos desde que o Mistério foi real em Eleusis e nestes dois mil anos perambulamos longe na disfunção e na confusão. Mas nós somos filhos pródigos. Podemos reparar a idéia de xamanismo a partir do estase social pré-tecnológico e projetá-lo, aperfeiçoá-lo e viajar com ela para além das estrelas.

E se não fizermos, tudo estará perdido. Há somente riscos e comprometimentos nestas aspirações milenares e nestas metas culturais, metas que têm o potencial de restaurar o significado e a direção para nossa civilização. Se isto não for feito iremos fragmentar nossa oportunidade e deixar o horror e a destruição do típico cenário futuro.

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Anarquicamente copiado de: 
FORTE, Robert. Entheogens And The Future Of Religion. San Francisco, CSP, 1997.

Humildemente traduzido por:
Waver

Versão copyleft – idéias não têm dono. Espalhe a palavra.

DMT - A Molécula do Espírito

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DMT significa dimetiltriptamina, uma família de compostos análogos à serotonina sintetizados por diversas plantas e animais, incluindo mamíferos e humanos. Caso os nossos níveis endógenos dessa substância se elevem acima do nosso patamar comum nesse instante, seja por causa experiências de quase-morte, aparições de natureza sobrenatural, religiosa, ou por ingestão intencional da substância em dose suficiente seja por meio da ayahuasca, do yopo, do psilocybe, do Bufo Alvarius, do extrato puro, duas coisas passam a acontecer: comunicação com entidades percebidas como externas, capazes de articular informações antes tidas como desconhecidas, identificadas através dos tempos como pessoas que já se foram, divindades diversas, alienígenas ou partes inconscientes da mente tornadas manifestas, a depender do contexto cultural; manifestação da sintaxe de nossa linguagem como um elemento visual através da transformação da fala em um instrumento capaz de criar, através do som de nossa voz, objetos ambíguos e portanto impossíveis em nossa atual percepção tridimensional: corpos que representam mais de uma forma ao mesmo tempo, trazendo para o domínio da visão as aptidões da comunicação oral para o duplo sentido.

Em nosso mundo não há consenso sobre a natureza dessas entidades nem sobre as transformações sintáticas das quais elas participam, em grande parte devido a nossa hostilidade frente a presença da dimetiltriptamina. Hipotetiza-se que a DMT tenha papel importante nos sonhos: e não seriam eles formas diminutas do ato fundamental dessa substância, a transformação de idéias em imagens concretas? Talvez nossos sonhos sejam um degrau na escalada dos níveis de DMT todas as noites, após o qual adentramos no universo das triptaminas do qual nunca conseguimos nos lembrar. E de maneira a ratificar essa hipótese, há a exceção de pessoas que já utilizaram a substância e relatam lembranças de sonhos onde ocorreu uma experiência de estar nesse mundo.

Enquanto a DMT unifica os sentidos da visão e audição ao permitir que ocorra uma comunicação visual que incorpore os elementos ambíguos do mundo aural, a escrita elimina da comunicação elementos da fala e separa os sentidos em dois universos distintos ao reduzir as palavras a seus elementos básicos, despidos de tons e variações pessoais. Sociedades que incorporam triptaminas como parte integral de sua cultura expressam a crença em espíritos naturais que controlam os ritmos dos rios e das prósperas florestas; sociedades que criaram a escrita nos cenários áridos e por vezes desérticos de seus vales julgam-se capazes de controlar, por meio de sua invenção, os ritmos de seus cenários inóspitos através da agricultura, das cidades e suas estruturas sociais. O impulso de controle da mente sobre a matéria conforme compreendido pela escrita mais se exarcerbou na civilização ocidental, onde o alfabeto, favorecido pelas condições extremas do Mediterrâneo, separou os sentidos como nenhum outro sistema de escrita. Essa separação se exarcebou a níveis inéditos com a invenção do livro impresso, e mais tarde com a Revolução Industrial que possibilitou sua reprodução em massa: caracteres uniformes que divulgavam uma separação entre os sentidos com um envolvimento muito menor do que a escrita à mão.

Antes da invenção da escrita, a humanidade vivia em uma relação de simbiose com a 4-HO-DMT; após a sua invenção, a DMT foi relegada ao papel de mistério, um segredo de grupos restritos durante a Antiguidade, para então assumir uma posição de substância obscura ou até mesmo desconhecida durante a Idade Média, reemergindo durante os Descobrimentos guiados pelo livro impresso como heresia, transformando-se com o progresso das novas mídias elétricas dos século vinte e seguinte em uma substância mais aceita a medida que nossas tecnologias convergem em direção aos cenários apresentados pelas triptaminas: já foram formuladas várias teses do espaço virtual como um sonho, algo que assim como a experiência da DMT captura os rígidos alicerces da realidade e os transforma em uma sintaxe livre onde há irrestrita transformação pelas forças imaginativas.

O Ocidente, do auge de sua sofisticação tecnológica, marcha na direção de reviver os modos de percepção dos mais primitivos estágios da humanidade, hoje encontrados somente em remotas tribos e grupos urbanos por poucos conhecidos. Se a DMT de fato produz os sonhos, a metáfora de um adormecer soa perfeita. Já virtualmente sonolentos caminhamos para o lugar onde estávamos: em 21/12/12 às 11:11 UTC, no início da noite do 13º b'ak'tun, encontramos a nossa triptaminada cama pré-histórica, onde se deixarão conhecer os mistérios subconscientes antes tornados sombrios pela luz do dia.
Link do Vídeo Dividido em 5 Partes Sobre o DMT:
http://www.youtube.com/watch?v=67Say7G7CPM&feature=related



Notas:

"TM: I really haven't had experiences with lucid dreaming. It's one of those things that I'm very interested in. I'm sort of skeptical of it. I hope it's true, because what a wonderful thing that would be.

HT: You've never had one?

TM: I've had lucid dreams, but I have no technique for repeating them on demand. The dream state is possibly anticipating this cultural frontier that we're moving toward. That we're moving toward something very much like eternal dreaming, going into the imagination, and staying there, and that would be like a lucid dream that knew no end, but what a tight, simple solution. One of the things that interests me about dreams is this -- I have dreams in which I smoke DMT, and it works. To me that's extremely interesting, because it seems to imply that one does not have to smoke DMT to have the experience. You only have to convince your brain that you have done this, and it then delivers this staggering altered state." (TERENCE MCKENNA)

"The elves were dancing in and out of the multidimensional visible language matrix, "waving" their "arms" and "limbs/hands/fingers?" and "smiling" or "laughing," although I saw no faces as such. The elves were "telling" me (or I was understanding them to say) that I had seen them before, in early childhood. Memories were flooding back of seeing the elves: they looked just like they do now: evershifting, folding, multidimensional, multicolored (what colors!), always laughing, weaving/waving, showing me things, showing me the visible language they are created/creatures of, teaching me to speak and read. (Are they are linguistic programs made manifest and personified? This throws an entirely new light on Terence McKenna's remark at Esalen about language being the "most alien artifact" we have!)" (GRACIE & ZARKOV )

"I finally relaxed, enjoying the inevitability of it all. instantly, flowers looking like opium poppies surrounded me and the 'machine-elves' of DMT fame came to visit. They assured me that I was safe, and really a nice guy to boot. In their high pitched collective voice, they sang a song revealing to me not only my own nature, but that of all creatures as well. They assured me that my DNA was not only similar to their own, but part of as well as *encompassing* their own 'code'. They stressed the simultaneousness of this seemingly contradictory statement. I started to laugh out loud, mostly at the absurdity of it all. My laughing became uncontrollable. It should be added that at this point I was so immersed that it did not matter if my eyes were open or closed. However, this laughing was the first event in what seemed like months which reminded me of my personal form and body. And I laughed... I could not stop!

The laughing at one point 'locked on' to a particular vocal frequency, and I could not get it to budge. Indeed, I was aware that I was releasing a monotonal hum. Even breathing did not seem to interfere with its clarity. I found it satisfying, and started to explore. By going with the sound, instead of trying to stop it, it grew louder and louder. Eventually it culminated in what McKenna correctly describes as a metallic buzzing sound. Very much like the sound of a cicada, but with many other elements added. I did feel as a bug making the sound, and I had an intuitive understanding of metamorphosis. As this sound continued, I noticed it was affecting my visions. Before, the elves were rapidly and almost violently competing for my attention, each trying to show me a better toy than the last. But this incredible sound caused them to order themselves into intricate yet subtle patterns of the greatest coherency. By slightly altering the pitch of the growl, or modulating it, the patterns changed. After some time, I could actually sculpt three dimensional objects. I did not attempt to make a chair, or a dog, or anything like that, but rather sculptures of pure light and revolving spheres, towers of emerald surrounded by throbbing orbs of sound and love. These were the toys I presented back to the machine-elves. This ability continued for what I would (with no way of ever knowing) say was roughly a half hour. This was the most satisfying, absurd, and enjoyable feeling I have ever had in my life. All frustrations associated with inability to express myself were flattened. It was as if I were vomiting my soul right into the air, where it loved to dance and play.

So now I am left with a ridiculous set of goals in life. I have done this again with another person who claimed the ability, and indeed the visions are seen by both parties. Like mental sex of untold richness. The possibilities of this 'language' with no danger of misinterpretation are so staggering I can't conceive of pursuing any other future for us monkies. To my amazement, and despite my wide sampling of the psychedelic community across the U.S., this phenomenon is almost unknown. I don't know what triggers it, only that if I eat enough mushrooms it will come. Strangely, I have not been able to have much success with the vocalizations on DMT, where this supposedly manifests itself more readily. " ( MANTUS, "A True Hallucination" , erowid.org DMT Vaults )

Nam mihi cum multa eximia divinaque videntur Athenae tuae peperisse atque in vitam hominum attulisse, tum nihil meilus illis mysteriis, quibus ex agresti immanique vita exculti ad humanitatem et mitigati sumus, initiaque ut appellantur ita re vera principia vitae cognovimus, neque solum cum laetitia vivendi rationem accepimus, sed etiam cum spe meliore moriendi. ( CICERO, De Legibus ) [ http://iamrcr.posterous.com/answering-frances-yates ]

 

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